
segunda-feira, 6 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
sábado, 21 de março de 2009
seja simples
simplesmente
mente aberta
abertamente
mente doce
docemente
mente certa
certamente
mente rara
raramente
mente doida
doidamente
mente clara
claramente
seja frágil
fragilmente
mente linda
lindamente
mente ágil
agilmente
mente alegre
alegremente
mente meiga
meigamente
mente viva
vivamente
mente calma
calmamente
mente nova
novamente
mente simples
Por: Rui Werneck de Capistrano
quarta-feira, 18 de março de 2009
"Parir"
segunda-feira, 16 de março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Tema da Semana "Calor"

Sem sentir
As minhas lágrimas são por não mais sentir;
Sentir o desejo na pele, no beijo,
Sentir a emoção toda pra fora fluir.
Sentir todo o corpo em erupção,
Sentir o calor, o lábio, a mão,
Sentir o roçar, tudo arrepiar;
Sentir que estou viva,
Sentir e sentir.
De: Rosely T. Sales
Foto Pedru Li
segunda-feira, 9 de março de 2009
Momentos de Vida III


Fotos do Amigo António Dimas
(como é k uma coisa piquinina e irritante tira fotos tão boas...)
Resumo do autor:
" "se quiser ponha lá o meu nome na fotografia sou o Zè maria! "
Homem iletrado, Latoeiro de profissão que, com um velho maçarico e um masso de madeira contiua a dar forma a belas peças de artes em latão. Até já deu formação a gente nova mas - como ele diz - ninguém segue a profissão!"
(conhecido em Moura por o "Caga-Libras" mas desde já saliento que faz peças belissimas e merece todo o meu respeito)
domingo, 8 de março de 2009
Momentos de Vida II

Poema que o Autor colocou a acompanhar a foto:
A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.
Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perdeira talvez
Os meus destinos diversos.
Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?
(Fernando Pessoa)
sexta-feira, 6 de março de 2009
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar
E
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Por:Álvaro de Campos
Foto: Jo
quinta-feira, 5 de março de 2009
Tema da Semana "VIDA"

A vida é uma oportunidade: agarra-a.
A vida é beleza: admira-a.
A vida é felicidade: saboreia-a.
A vida é um sonho: realiza-o.
A vida é um desafio: enfrenta-o.
A vida é um dever: cumpre-o.
A vida é um jogo: joga-o.
A vida é preciosa: cuida dela.
A vida é uma riqueza: conserva-a.
A vida é amor: goza-o.
A vida é um mistério: descobre-o.
A vida é promessa: mantém-na.
A vida é dor: supera-a.
A vida é um hino: canta-o.
A vida é uma luta: aceita-a.
A vida é aventura: arrisca-a.
A vida é alegria: merece-a.
A vida é vida: defende-a.
Por: Madre Teresa
Foto: Hugo Tinoco
terça-feira, 3 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009

Prazer
e corres por entre desejo e prazer,
cerras nos punhos da vida eterna
e vestes de alma quem tentas satisfazer.
Imagino nos lençóis da longa noite
olhares que se cruzam com um pedido,
almas necessitadas que se entregam
e triunfam no final com um gemido.
A ti te desejo oh inferno vadio
que enfeitiçaste o meu desejo carnal,
cada desejo é um abismo claro, no qual me enfio
e em cada tremor um erro criado e vital.
Imaginação onde me levas e pensamento onde vais?
Liquido que me brota das veias sem mais estancar,
Sentido na boca como o calor dos campos
e no coração com imagem de sangue a fervilhar..
Tu que me tentas, me provocas e constróis
Tu que me massacras no pensamento volante.
Começas quando tudo um dia acaba e
acreditas no sentir como algo encorajante.
Sai desejo que me corroís, que me atrais,
Deixa-me só com os punhos e lençóis do meu pesar...
inferno tranquilo que mostras à carne como ser
e às ideias a forma de recomeçar...
Por: VCRC em: efamoso.blogspot.com
Foto: Marta Ferreira
domingo, 1 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009

Que me dão guarida,
Meu suplemento de vida…
Braços meus que se entrelaçam,
Em busca do teu calor,
Do teu suave odor…
Corpos nus que se fundem
Peles húmidas de paixão,
Incandescendo o frio chão…
Olhas-me…
Os teus olhos pedem mais!
Pedem-me o céu, o paraíso!
Clamam que no amor nada é demais,
E que tu e eu somos tudo o que é preciso…
Devoras-me…
Beijas cada pedaço da minha pele,
E eu respondo aos teus lábios molhados,
Saboreando o teu corpo, doce de mel,
Consumindo o lume do amor, tu e eu, entrelaçados…
Por: Jorge Morais
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Gosto de te sentir quando amanhece
Teu corpo no meu corpo, docemente
Desfrutemos amor este presente
Esta doce ventura que enternece.
Assim pousado em mim, teu corpo oferece
O instante da loucura permanente
Colada a nossa pele tão ardente
Seremos tu e eu, bendita prece.
Mantém as tuas mãos junto de mim
Que eu quero o teu carinho enaltecer
Não digam que é pecado amar assim
Depois de te beijar, de te morder
É louca a sensação de não ter fim
E é longo o teu gemido e o meu prazer.
Por: Fausta Paixão
Foto: Grendel
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Tema da Semana: "Prazer"

A maçã de Eva
Fui eu sim.
Fui eu que deixei essa marca ai.
Essa marca, que questionam
Que dizem imoral
Libertina
Quase pornográfica
Assim à mostra
Assim exposta.
Mas tenho uma desculpa
Uma justificação
Uma razão plausível
Para ter feito o que fiz.
Quis ser Eva no paraíso,
Provar o fruto proibido.
E mordi-te, provei-te
E na tua pele, no teu corpo
E pela tua mão
No paraíso entrei.
Foto: Paulo César
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mágoa que magoa
É uma palavra bonita, mágoa. Sabe a lágrimas silenciosas, a noites de insónia, a manhãs de Domingo solitárias e sem sentido. Está para lá da tristeza, da saudade, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande. Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas. Depois , é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida, e o réu, o que fizermos dela. Limpam-se os destroços. Enterram-se os mortos, tratam-se dos feridos, que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração. Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor. Pelo menos a mágoa magoa, mas faz-nos sentir vivos.
De: Margarida Rebelo Pinto
Foto: Gonçalo Afonso Dias
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Novo tema: Dor / Mágoa

Dói-me a alma nas costas
Dói-me a alma nas costas.
Não sei porque me dói a alma na região lombar.
(Zona do corpo assaz prosaica, e nada dada a estas coisas de dores de alma e versos e literatura e poesia...)
Mas é ai que me dói!
Foi aí que primeiro a dor se alojou,
Foi aí que à dor a mágoa se juntou,
E depois da mágoa
As desilusões, as decepções,
E todos os outros etc
Que juntos tornam a vida uma merda
E a alma coisa real e dolorosa.
Talvez a dor fosse tanta que no peito não cabia,
Talvez a raiva com que a reneguei
A força com que do coração a expulsei
A recusa
A
E entre vértebras, a alma se escondeu.
Se ninguém sabe onde tem a alma
Eu sei onde está a minha!
Está alojada na região lombar
Entre a quinta e a sexta vértebras.
E trato-a com anti-inflamatórios
E relaxantes musculares.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009

Morrer de amor
A espaços beijar teu rosto
nas zonas onde se põe triste
plantar palavras para te rires
semear estrelas se partires
colher as rosas em Agosto
picar-me nelas e sorrir
crestar meu corpo no teu sol
arder assim à beira-água
sem estender sequer a mão
para tocá-la de sede ávida
deixar que me comas em silêncio
como Tiestes no banquete horrendo
perder-me no deserto da memória
e desaparecer num abismo fundo
sem mais glória do que esta:
morrer de amor à beira mundo
como arde no fogo uma floresta
desfazendo-se em cinza e fumo...
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

100€
Não existo
Morro a cada noite que passa…
Morri na noite em que subi aquelas escadas acompanhada por ele.
“ele”!
Um “ele” sem nome, sem rosto, esforcei-me por pensar que era o meu homem…
Fiz-me forte enquanto as minhas pernas se quebravam…
Os meus lábios não proferiram nem uma só palavra, apenas obedecia a ordens…
Baixei a cabeça entre as suas pernas e chorei porque me repugnava o que antes significava felicidade e prazer, ouvi-o gemer enquanto eu apenas tentava não vomitar
Gritei em silêncio …
Ele gozava e a sua respiração nojenta entranhava-se nas minhas narinas…
Malditas lágrimas que me queimavam a pele. Eu não queria chorar! Eu não queria sentir! Só queria sair daquele quarto e nunca mais voltar a ver o mundo.
Ficou vazio de gente…
Agora sou apenas uma puta sem nome, sem vida mas vendo ilusões aos ignóbeis que param…
- “100€ e levo-te ao paraíso…”
Por: Gemitta
Foto:Lucia Letra
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Tema da Semana "Morrer"
as minhas desculpas por o 1º conto nao ser uma porcaria das tais k escrevo, mas garanto k esta semana ainda levam com uma!!! hehehe
A Vida e a Morte
O que é a vida e a morte
Aquella infernal enimiga
A vida é o sorriso
E a morte da vida a guarida
A morte tem os desgostos
A vida tem os felises
A cova tem as tristezas
I a vida tem as raizes
A vida e a morte são
O sorriso lisongeiro
E o amor tem o navio
E o navio o marinheiro
Auctora Florbella Espanca
Em 11-11-903
Com 8 annos d'Idade
(Florbela Espanca, «Esparsos», in «Poesia Completa»)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A noite na ilha
Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.
O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
– pão, vinho, amor e cólera –
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.
Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.
Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.
De: Pablo Neruda
foto: Vincente Teulière
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
De vez em quando suicido-me.
Nem sinceros, nem verdadeiramente reais
São propósitos e intuito de suicídio.
Esqueço-me simplesmente de viver.
Esqueço a vida nas gavetas,
No fundo dos roupeiros cá de casa,
Na água do banho que corre,
Nos lençóis da cama por fazer,
E fico alheia, absorta,
Vazia de pensamentos.
Tão longe dos sons da vida
Como se real tivesse sido a morte auto-infligida.
Após um tempo, como se acordasse de um sonho,
Volto a ouvir os sons habituais.
As portas dos vizinhos que batem,
A água que corre nos canos,
O transito fora da janela.
E volto a sentir-me outra vez.
…
De vez em quando suicido-me.
Ou simplesmente… Esqueço-me de viver.
Retirado do melhor blog que segui: Eroticidades
(Que saudades de o ler...)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

(Este é o conto de quem me desafiou e teve k me acompanhar...)
Este era um daqueles dias….
Este era um daqueles dias em que a incerteza do que sou e do que queria para a minha vida se apoderava de mim desde que tinha acordado.
Não me sentia motivado para voltar para casa. A minha mulher, Joana, estaria lá de sorriso nos lábios para me receber, mas eu não queria ser recebido. Queria por um dia ser esquecido e não entrar.
A minha mão abrandava à medida que se dirigia para o puxador da porta, como que me quisesse dizer para não avançar.
- Olá amorzinho! Como correu o teu diazinho? – ouvia eu na minha cabeça como que antecipando o que aí vinha.
Todos os dias a mesma frase e o mesmo abraço apertado, tão apertado, demasiado apertado. Um sorriso rasgado e uma servidão doentia. Eu precisava de espaço.
Casámos ainda jovens, depois de uns meros 9 meses de namoro. Ela queria e eu também.
Eu apenas tinha tido uma namorada. Ela, rapariga recatada de aldeia, cristã de formação, tinha-se guardado para alguém que viria a ser eu. E eu para ela era tudo.
Quando eu chegava a casa, Joana dedicava-se a adular-me e a mimar-me com pequenos presentes, refeições preferidas e beijos e carícias nos pontos que me faziam esquecer que precisava de espaço. E no dia seguinte o mesmo aperto e o mesmo sorriso feliz.
Hoje, eu chegava mais cedo. Tinha conseguido entregar todas as encomendas de forma rápida, pois o meu estado não me fazia distrair com o que normalmente me fazia levar mais tempo a fazê-lo.
A minha mão parou ao abraçar o metal frio do puxador e não fui capaz. Baixei a cabeça, respirei fundo com os olhos fechados e voltei para trás.
Entrei no carro e afastei-me dela e do seu sorriso perfeito.
Parei junto à casa do meu amigo João, mas também não entrei. As ruas estavam vazias devido ao frio e deixei-me ficar a ouvir o silêncio, com a cabeça para trás, encostada ao banco.
- Pedro! – ouvia-se do outro lado, abafado pelo vidro e pela minha dormência.
E de novo:
- Pedro!!!
Abri os olhos e do outro lado, inclinada sobre o carro, estava a Clara, uma colega de trabalho e muito amiga do João. Esbocei um ligeiro sorriso e acenei.
Ela fez-me sinal para abrir o vidro e eu obedeci devagar. Sabia que hoje estaria fraco demais para resistir às investidas da Clara.
Ela tinha os cabelos compridos, encaracolados em ondas perfeitas e umas sardas que nela pareciam perfeitas. E os seus olhos… pestanejavam devagar.
Desde que entrei para esta empresa que ela engraçou comigo. O João até brincava e dizia que eu tinha nascido com o rabo virado para a lua, pois a Joana também era bonita e com os seus 32 anos, mantinha a mesma bela figura de quando nos conhecemos.
- Que fazes aqui? – perguntou sorrindo.
Encolhi os ombros.
Ela deu a volta, abriu a porta e sentou-se no banco do lado, lugar que por direito era da Joana.
- Anda, vamos beber um copo. – disse, enquanto pestanejava devagar com uma ténue luz amarela e quente do candeeiro da rua a realçar as suas maçãs do rosto e o generoso decote.
Queria aceitar o convite, mas fiquei calado.
- Vá, deixa-te de coisas! Estive a trabalhar em casa do João e preciso de descontrair. – insistiu.
Liguei o carro, ela endireitou-se e tentou colocar o cinto de segurança. Não conseguia… ou não queria!
- Dás-me uma ajuda?
Tirei o meu cinto e debrucei-me para alcançar o dela, que propositadamente deixou do outro lado.
Já tinha sonhado com a Clara por diversas vezes e em todos eles ela aparecia semi-nua e desejosa para que eu a possuísse. Eu, devagar, bem devagar, pegava na sua mão e encostava o meu corpo nu ao seu. De pé, beijava-lhe demoradamente o pescoço, a orelha, roçava o meu rosto no dela, beija-lhe os olhos, agora fechados de prazer. A minha mão ainda caída e apenas com o polegar acariciava a dela em movimentos lentos e circulares.
Sempre o mesmo sonho!
Era óbvio que ela sabia que os seus belos peitos, apertados por suave algodão tingido de preto, iriam por certo atrair o meu olhar.
O meu braço, ao alcançar o cinto, tocava suavemente neles numa espécie de abraço consentido e esperado.
Este é o momento que qualquer um espera ter, o instante em que a curta distância entre os lábios e os corpos pegados “acidentalmente”, indicam que é o Agora.
Mas eu não fui capaz. Coloquei-lhe o cinto e disse-lhe:
- Eu deixo-te em casa.
Seguimos os dois calados, mas ela continuava a sorrir. Em que pensaria?
A distância era curta e depressa chegámos.
Ainda assim chegava mais cedo a casa do que o habitual.
Abri a porta calmamente, mas ao contrário dos últimos 10 anos, a Joana não me esperava. Estranhei…
Entrei na sala, espreite e chamei por ela sem resposta.
Do nosso quarto escapavam sons que se assemelhavam a vozes. Percebia-se que fosse quem fosse estava divertido.
Instantaneamente, assolou-me o pensamento absurdo de traição.
A minha Joana não! Pensei de seguida. Mas então porque não me mexia!!
Comecei a duvidar de todas as coisas que antes tinha como certas.
E as vozes pareciam cada vez mais altas.
Surgiam flashes com imagens da Joana arqueando as costas deitada numa cama, gemendo de prazer ao ritmo de penetração de um homem qualquer e soltando, por vezes, leves gritos como que a libertar toda a explosão interior.
A minha Joana não! Repetia em surdina de forma a apagar este fogo que em mim crescia.
Devagar, desloquei-me pelo corredor que parecia agora mais comprido.
As vozes, ainda imperceptíveis, subiam de tom.
Ganhei coragem e abri a porta de rompante, num gesto firme e decidido.
A cama sem corpos, o quarto sem gente.
Uma televisão esquecida debitava uma qualquer novela brasileira.
Em cima da cama um bilhete:
“Amorzinho, acabou-se o arroz e para te fazer o empadão que tanto gostas fui ao Continente. Se chegares antes de mim, por favor aquece a sala, pois hoje sinto-me sexy e vou comprar lingerie para logo. Beijos, a tua Joana.”
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Tema da Semana: " Sonho "

Ggggrrrrrrr…
… Mais um final de tarde igual… Que raiva! Onde está a vontade? Onde está aquele sorriso que surgia a todo o momento sem ser chamado…
Olho para aquele recanto cheio de luz e aconchegante onde as horas paravam enquanto trabalhava. Agora, se não fosse o facto de continuar a gostar de viver na limpeza, garanto que ali já viveriam varias gerações de aranhas e outros que tais!
Ggggrrrrrrr…
Que raiva…
Maldita rádio que me leva ao passado.
…“abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos”…
Quase sem ter poder nos meus gestos, quase sem ter poder sobre a minha mente, abro aquela arca de metal de que apenas me recordo nos últimos tempos, quando a abro para lhe colocar água, afinal ali está o meu bem mais precioso… o barro.
Começo a tocar-lhe - “aunque no tengas ganas” - ecoa na minha cabeça… Como me dá prazer, sentir a suavidade e o frio húmido a invadirem as minhas mãos…
Sabe-me a paixão, a luxúria…
Entrego-me ao momento, sinto-me de novo viva como que despida de roupas, pensamentos, vontades e desejos… Apenas sinto…
Sinto as minhas mãos invadirem-te, percorro as tuas coxas, como Deus pôde fazer um homem com um corpo tão perfeito, as tuas nádegas firmes são como uma onda que se prepara a rebentar, as costas o mar que antecede a praia, onde as minhas mãos se deleitam… suaves… firmes… seguem até á nuca e param sem rosto.
O teu peito largo é musculado, o suficiente para que transmita segurança e poder, mas deixando espaço para a vontade de me perder nele…
- “acércate a mí” –
As minhas mãos descem até onde o teu corpo encontra o meu - como são perfeitos estes corpos unidos - encaixam como se de um puzzle se tratasse. Que paisagem bela se expõe aos olhos de quem ousa observar.
Os corpos fundem-se sem que perceba onde acaba um e começa outro! Descolam-se no meu ventre, fico deitada, sentindo o calor das tuas coxas nas minhas, o teu peito eleva-se sobre mim. Os braços que suportam o peso da minha maravilhosa visão, estão perfeitos e não resisto a sentir o seu sabor…
- “abrázame a ti por Dios, entrégate a mis brazos” –
Um trago salgado invade a minha boca excitando cada centímetro da minha pele, os meus seios refletem todo o prazer que uma mulher pode sentir…
As minhas mãos escorrem dos teus ombros, as minhas unhas invadem a tua carne num misto de dor e sofreguidão
- “Tristes breves nuestras vidas” –
Páro!
A minha mente parece acordar, a madrugada vai alta, não senti fome, não senti sede, apenas tenho o meu corpo todo dorido de tamanhas sensações.
Começo a rir! Rir de felicidade! Louca! Alegre! Viva! Consegui!
Parece irreal que aqueles dois corpos, que agora ocupam a minha sala, tenham saído das minhas mãos.
Por: Gemitta
(o 1º conto k escrevi)
foto:JPSousa
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Palavras Ausentes
Tudo o que eu previa aconteceu:
não fui, não fiz, não deu, não quis, saiu, fugiu, deixou, morreu.
Enfim, não fez, não disse, contradisse, concordou e se safou.
Saiu pela tangente e assim ficou.
Esperei, em vão, na contra-mão da razão.
Saiu sem pestanejar e não volta mais.
Ficou o que deixou.
Mas deixou o quê, mesmo?
Vazio.
Vazio por quê?
Fui, fiz, disse e falei demais.
Deixei, fugi, quis mas não deixou e assim ficou: morreu.
Esperar o quê?
O que não há?
Surtei.
Chorei.
Matei em mim o que já me tinhas assassinado há muito tempo atrás.
Não me dei conta que era acaso, capricho. Passado. E na ânsia de mudar o tempo verbal, arrasou-me, arrastou-me e levou-me de volta pro teu mar, já seco, sem vida, ausente de ti.
Não vou, não faço, não falo. Só calo.
Hoje estou assim: ausente de palavras.
Tuas.
Mal sabes que o tempo se esgota e não há volta...
Esperança vã. Trouxe nada além do eco de um passado incompleto.
Tu e eu.
E a vida segue assim, ausente de palavras.
Tuas.
Minhas.
Um grito mudo não se ouve.
E há eu ainda, que não aprendi a interpretar o silêncio.
O teu silêncio.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
As Palavras Ausentes
De: Pedro Ayres Magalhães
Junto a ti
É que eu aprendi
A deixar ficar o silêncio
as palavras ausentes
Foi assim
Aprendi assim
Que é bom ficar em silêncio
Quando o amor, manda
Ai, é a saudade quem fala assim
É o amor que se ouve assim
Neste silêncio em que eu descobri
Que é bom ficar junto a ti
Foi assim
Aprendi assim
A deixar ficar o silêncio
As palavras ausentes
Ai, é a saudade quem fala assim
É o amor que se ouve assim
Neste silêncio em que eu descobri
Que é bom ficar junto a ti
Neste silêncio em que eu aprendi
A ficar bem junto a ti
Neste silêncio que descobri
Quando estou bem junto a ti
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Viagem à eternidade das palavras
por Regis Gonçalves
(a João Cabral de Melo Neto, in memorian)
A mesa atrás de si, com os restos do café da manhã, ainda está posta. O poeta sente uma leve vertigem, nenhum torpor, nenhuma dor, e uma lucidez equivalente à claridade invasiva ainda possível de adivinhar. E uma cumplicidade das coisas, objetos familiares como o braço que o ajuda a sustentar-se diante da aguda paisagem interior, já despojada de temor ou remorso.
Haviam comido quase em silêncio, pontuado de frases curtas, as palavras que ultimamente tornaram-se dispensáveis adquiriam em si mesmas uma mínima solenidade. Migalhas de pão e pequenas manchas deixadas pelo líquido entornado indicavam o fim da refeição frugal de cada manhã. Tomara todos os comprimidos, todos, e os engolira contando-os um a um. Sentia-se reconciliado, pronto para o gesto inaugural de apaziguação, uma despedida sem adeus.
O mundo se coagulava em pormenores desprendidos da memória, fora de tempo e lugar. A pedra diluída em barro ia se liquefazendo na mancha tortuosa sobre a qual boiavam o pio de um pássaro, cantigas de infância, sussurros e rumores, olhos de sede, e as palavras, a lembrança da dura e fria iniciação ao seu convívio. Podia ouvi-las distintamente, ordenando uma arquitetura ideal que ele quis tornar poesia. As palavras e seu limite, remoídas em pó que se recusa a dispersar-se em moléculas e deixar-se levar pelo vento.
O poeta se volta, aponta o sofá para onde caminha, senta-se, está como se desprendendo desses fragmentos que compõem o ambiente imediato, acessível das coisas mais que presentes. A mão que o ampara sustenta apenas uma parte de si que já não é peso ou desejo de entendimento. O poeta raspa ainda mais o oco das reminiscências, remove as aparas do tempo, intenta promover a decantação última dos sentimentos. Mas é através deles que novas palavras se presentificam, tornam-se palpáveis na disposição de aliciá-lo, já não como forma pura, gesto lapidar, arte e cometimento.
É antes a proposta de um cântico, uma música que não coubera na arquitetura de sentidos anteriormente pretendida. De mãos dadas, o poeta agora move os lábios e reza, as palavras murmuradas se corporificando numa litania de sons imemoriais, clamores de solidão e comprazimento. Tudo nele interage em caos, essa não-forma de consciência que flui, rio de viagem caudalosa alcançando o estuário de um mar absoluto e definitivo. A cabeça tomba e se imoboliza num gesto arquetípico, estátua de sal que grava o corpo final de sua poesia.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
SONETO INCOMPLETO
Paulo Esdras · Salvador (BA) · 7/3/2008
Cunhado em sangue,
Marcado a fogo,
Cantado pelo silêncio,
Chorado em mares já navegados.
Palavras dispensáveis.
Versos que não alcançam...
Morrem afogados pelo desejo
E renascem como as esperanças.
Transformado, sempre transformado.
Mesmo sem chama, ilumina a lembrança
E aquece esquecendo o clima gelado da solidão.
Incompleto, sempre incompleto.
Como soneto sem último verso.
Retirado de: www.overmundo.com.br
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Tema da Semana: " Quando as palavras são desnecessárias"

Quando as palavras são dispensáveis…
-“Desculpe…estou só a ver se o empregado vem…”
-“Está na cozinha!”
Foi a resposta que obtive daquele homem que se colocou de frente para mim e me olhava descaradamente, que atrevimento, afinal estava á porta de uma tasca apenas frequentada por homens e aquela figura fazia com que todos os outros dessem pela minha presença e reparassem o mal estar que sentia.
Rapidamente virei costas e voltei para o calor da esplanada que subitamente me pareceu bem fresca, não demorou 2 minutos para que aqueles olhos se sentassem na mesa ao lado, bem de frente para mim, não deixando que nenhum gesto lhe escapasse…
O telefone toca, é a Maria que me recorda a promessa que lhe fiz de jantarmos essa noite, despeço-me de todos, encaro-o para que se sinta como me fez sentir a mim: -“muito gosto em conhecer e até outra oportunidade…” nada obtive como resposta além de um aceno de cabeça e de um olhar que me acompanhou até que virei a esquina…
Parei de andar assim que mudei de rua, respirei fundo e comecei a rir sozinha, não era normal que alguém me deixa-se vulnerável, agora as acusações de ser uma pessoa fria não encaixavam no que acabava de viver, antes pelo contrario, ali o meu sangue tinha fervido com bem pouco.
Faço questão de me sentar ao fundo da sala e costas com costas, mas de nada resultou a Maria acabou por me perguntar quem era, pois ele virava-se na cadeira descaradamente para olhar…Conto-lhe o sucedido e levo um pontapé por baixo da mesa para que me cale…
”Posso oferecer-vos uma bebida?”
Que ousadia…
Não me atrapalho: “Pagas mais logo quando nos puderes fazer companhia!”
Chegamos ao bar onde toda a gente acaba a noite e onde só se vai depois das quatro da manhã, nem tenho tempo de olhar em volta, sou puxada para um canto, “desta não escapas quero estar contigo, preciso estar contigo…”
Fico paralisada, a proximidade do seu corpo e o calor que a sua voz ao meu ouvido deixa-me atordoada, saímos dali, quase a correr, sem nada dizermos, rapidamente dou por mim na casa rústica, que eu sempre vi fechada e que me intrigava tanto… Mistério desfeito!
Parámos no meio da sala, sem palavras o seu corpo cola-se ao meu, vagaroso…
As suas mãos acariciam a minha nuca, a sua boca percorre o meu pescoço calmamente, deixando um rasto de fogo…
Os nossos corpos dançam sem música, encostando-se um no outro sedutoramente, os seus dedos percorrem a minha pele, todo o meu corpo arde…
Não há pressa, continuamos de pé provocando-nos mutuamente, sem deixar que o desejo seja consumado…
Creio que passaram horas desde que chegamos, arrastamo-nos para o quarto e só aí perco a minha primeira peça de roupa, ficamos a explorar cada centímetro de pele, não quero reagir, quero conter todas as sensações prolonga-las para sempre nos meus sentidos…poderia parar ali, despedir-me, ir embora, a minha alma estava saciada de prazer sem que o tivéssemos consumado…
Perco-me no seu corpo, tomo o sabor a uma gota de suor que corre do seu peito e invade a sua barriga firme, faço-a tomar o caminho de volta, rolando brincalhona na ponta da minha língua…
Os nossos corpos encaixam naturalmente, como um bailado perfeito, unidos na intensidade…
Com os corpos abandonados um sobre o outro, deixamos a manhã invadir o quarto e sono cai sobre nós.
Tenho um sorriso colado no rosto, mas de repente fico séria e as palavras voltam á minha boca num pensamento: “esqueci-me de perguntar como se chama…”
Por: Gemitta
foto:Gemitta












