sábado, 28 de fevereiro de 2009


Entrelaçados

Braços teus que me abraçam,
Que me dão guarida,
Meu suplemento de vida…

Braços meus que se entrelaçam,
Em busca do teu calor,
Do teu suave odor…

Corpos nus que se fundem
Peles húmidas de paixão,
Incandescendo o frio chão…

Olhas-me…
Os teus olhos pedem mais!
Pedem-me o céu, o paraíso!
Clamam que no amor nada é demais,
E que tu e eu somos tudo o que é preciso…

Devoras-me…
Beijas cada pedaço da minha pele,
E eu respondo aos teus lábios molhados,
Saboreando o teu corpo, doce de mel,
Consumindo o lume do amor, tu e eu, entrelaçados…

Por: Jorge Morais

Foto:Nuno Manuel Baptista

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Poema de prazer

Gosto de te sentir quando amanhece
Teu corpo no meu corpo, docemente
Desfrutemos amor este presente
Esta doce ventura que enternece.

Assim pousado em mim, teu corpo oferece
O instante da loucura permanente
Colada a nossa pele tão ardente
Seremos tu e eu, bendita prece.

Mantém as tuas mãos junto de mim
Que eu quero o teu carinho enaltecer
Não digam que é pecado amar assim

Depois de te beijar, de te morder
É louca a sensação de não ter fim
E é longo o teu gemido e o meu prazer.

Por: Fausta Paixão
Foto: Grendel

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tema da Semana: "Prazer"





A maçã de Eva

Fui eu sim.
Fui eu que deixei essa marca ai.
Essa marca, que questionam
Que dizem imoral
Libertina
Quase pornográfica
Assim à mostra
Assim exposta.
Mas tenho uma desculpa
Uma justificação
Uma razão plausível
Para ter feito o que fiz.
Quis ser Eva no paraíso,
Provar o fruto proibido.
E mordi-te, provei-te
E na tua pele, no teu corpo
E pela tua mão
No paraíso entrei.

De: encandescente.home
Foto: Paulo César

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


Magoam-me os momentos que não vivi…

Magoam-me os momentos em que hesitei…

Magoam-me as palavras que não disse…

…As carícias que não fiz!...

As pessoas que me trataram mal????

É simples:

Que Deus tenha piedade delas…

Porque para mim foram apenas mais um degrau que subi!

Texto e Foto: Gemitta

domingo, 22 de fevereiro de 2009


A mágoa de quem vê... A dor de quem sente...

Foto de Bruno Gonzalez, fica também o comentário do autor sobre a foto:

“Essa menina estava chorando pq seu pai tinha acabado de ser preso numa operação policial no morro da mangueira...”

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


Mágoa que magoa

É uma palavra bonita, mágoa. Sabe a lágrimas silenciosas, a noites de insónia, a manhãs de Domingo solitárias e sem sentido. Está para lá da tristeza, da saudade, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande. Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas. Depois, é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida, e o réu, o que fizermos dela. Limpam-se os destroços. Enterram-se os mortos, tratam-se dos feridos, que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração. Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor. Pelo menos a mágoa magoa, mas faz-nos sentir vivos.

De: Margarida Rebelo Pinto

Foto: Gonçalo Afonso Dias

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Novo tema: Dor / Mágoa


Dói-me a alma nas costas

Dói-me a alma nas costas.
Não sei porque me dói a alma na região lombar.
(Zona do corpo assaz prosaica, e nada dada a estas coisas de dores de alma e versos e literatura e poesia...)
Mas é ai que me dói!
Foi aí que primeiro a dor se alojou,
Foi aí que à dor a mágoa se juntou,
E depois da mágoa
As desilusões, as decepções,
E todos os outros etc
Que juntos tornam a vida uma merda
E a alma coisa real e dolorosa.
Talvez a dor fosse tanta que no peito não cabia,
Talvez a raiva com que a reneguei
A força com que do coração a expulsei
A recusa em senti-la
A
assustasse,
E entre vértebras, a alma se escondeu.
Se ninguém sabe onde tem a alma
Eu sei onde está a minha!
Está alojada na região lombar
Entre a quinta e a sexta vértebras.
E trato-a com anti-inflamatórios
E relaxantes musculares.

In:Eroticidades Foto: Rui Pires

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


Morrer de amor

Morrer de amor
ao pé
da tua boca

Desfalecer
à pele do sorriso

Sufocar de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso


Por: Mª Tereza Horta
em: poesiaapenas.blogspot.com

Foto: Paulo Cesar

domingo, 15 de fevereiro de 2009

" tenho saudades de contigo morrer nas noites em que nos amamos"

Foto: Paulo Cesar

sábado, 14 de fevereiro de 2009


Morrer de amor

A espaços beijar teu rosto
nas zonas onde se põe triste
plantar palavras para te rires
semear estrelas se partires
colher as rosas em Agosto
picar-me nelas e sorrir
crestar meu corpo no teu sol
arder assim à beira-água
sem estender sequer a mão
para tocá-la de sede ávida
deixar que me comas em silêncio
como Tiestes no banquete horrendo
perder-me no deserto da memória
e desaparecer num abismo fundo
sem mais glória do que esta:
morrer de amor à beira mundo
como arde no fogo uma floresta
desfazendo-se em cinza e fumo...

:: Publicado por LibeLua
em: oblogdalibelua2.blogs.sapo.pt
foto: Deyvis Malta


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


100€


Não existo

Morro a cada noite que passa…

Morri na noite em que subi aquelas escadas acompanhada por ele.

“ele”!

Um “ele” sem nome, sem rosto, esforcei-me por pensar que era o meu homem…

Fiz-me forte enquanto as minhas pernas se quebravam…

Os meus lábios não proferiram nem uma só palavra, apenas obedecia a ordens…

Baixei a cabeça entre as suas pernas e chorei porque me repugnava o que antes significava felicidade e prazer, ouvi-o gemer enquanto eu apenas tentava não vomitar

Fui jogada, como se fosse um boneco, para cima da cama e a minha alma abandonou o meu corpo, de vergonha! Tal como tantas vezes vi em filmes, o meu corpo ficou inerte e eu fiquei de longe a olhar a forma como “ele” me afastava as pernas e se deitava em mim…

Não! Não!

Gritei em silêncio …

Ele gozava e a sua respiração nojenta entranhava-se nas minhas narinas…

Malditas lágrimas que me queimavam a pele. Eu não queria chorar! Eu não queria sentir! Só queria sair daquele quarto e nunca mais voltar a ver o mundo.

O meu corpo não reagiu as tentativas de fuga, nem deixou que a minha alma regressasse…

Ficou vazio de gente…

Agora sou apenas uma puta sem nome, sem vida mas vendo ilusões aos ignóbeis que param…

- “100€ e levo-te ao paraíso…”

Por: Gemitta

Foto:Lucia Letra

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tema da Semana "Morrer"

este tema vem pelos ultimos acontecimentos vividos...
as minhas desculpas por o 1º conto nao ser uma porcaria das tais k escrevo, mas garanto k esta semana ainda levam com uma!!! hehehe

A Vida e a Morte

O que é a vida e a morte

Aquella infernal enimiga

A vida é o sorriso

E a morte da vida a guarida

A morte tem os desgostos

A vida tem os felises

A cova tem as tristezas

I a vida tem as raizes

A vida e a morte são

O sorriso lisongeiro

E o amor tem o navio

E o navio o marinheiro


Auctora Florbella Espanca

Em 11-11-903

Com 8 annos d'Idade

(Florbela Espanca, «Esparsos», in «Poesia Completa»)






terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


A noite na ilha

Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
– pão, vinho, amor e cólera –
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.

De: Pablo Neruda

foto: Vincente Teulière

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

De vez em Quando

De vez em quando suicido-me.
Nem sinceros, nem verdadeiramente reais
São propósitos e intuito de suicídio.
Esqueço-me simplesmente de viver.
Esqueço a vida nas gavetas,
No fundo dos roupeiros cá de casa,
Na água do banho que corre,
Nos lençóis da cama por fazer,
E fico alheia, absorta,
Vazia de pensamentos.
Tão longe dos sons da vida
Como se real tivesse sido a morte auto-infligida.
Após um tempo, como se acordasse de um sonho,
Volto a ouvir os sons habituais.
As portas dos vizinhos que batem,
A água que corre nos canos,
O transito fora da janela.
E volto a sentir-me outra vez.

De vez em quando suicido-me.
Ou simplesmente… Esqueço-me de viver.

Retirado do melhor blog que segui: Eroticidades
(Que saudades de o ler...)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009



(Este é o conto de quem me desafiou e teve k me acompanhar...)

Este era um daqueles dias….

Este era um daqueles dias em que a incerteza do que sou e do que queria para a minha vida se apoderava de mim desde que tinha acordado.

Não me sentia motivado para voltar para casa. A minha mulher, Joana, estaria lá de sorriso nos lábios para me receber, mas eu não queria ser recebido. Queria por um dia ser esquecido e não entrar.

A minha mão abrandava à medida que se dirigia para o puxador da porta, como que me quisesse dizer para não avançar.

- Olá amorzinho! Como correu o teu diazinho? – ouvia eu na minha cabeça como que antecipando o que aí vinha.

Todos os dias a mesma frase e o mesmo abraço apertado, tão apertado, demasiado apertado. Um sorriso rasgado e uma servidão doentia. Eu precisava de espaço.

Casámos ainda jovens, depois de uns meros 9 meses de namoro. Ela queria e eu também.

Eu apenas tinha tido uma namorada. Ela, rapariga recatada de aldeia, cristã de formação, tinha-se guardado para alguém que viria a ser eu. E eu para ela era tudo.

Quando eu chegava a casa, Joana dedicava-se a adular-me e a mimar-me com pequenos presentes, refeições preferidas e beijos e carícias nos pontos que me faziam esquecer que precisava de espaço. E no dia seguinte o mesmo aperto e o mesmo sorriso feliz.

Hoje, eu chegava mais cedo. Tinha conseguido entregar todas as encomendas de forma rápida, pois o meu estado não me fazia distrair com o que normalmente me fazia levar mais tempo a fazê-lo.

A minha mão parou ao abraçar o metal frio do puxador e não fui capaz. Baixei a cabeça, respirei fundo com os olhos fechados e voltei para trás.

Entrei no carro e afastei-me dela e do seu sorriso perfeito.

Parei junto à casa do meu amigo João, mas também não entrei. As ruas estavam vazias devido ao frio e deixei-me ficar a ouvir o silêncio, com a cabeça para trás, encostada ao banco.

- Pedro! – ouvia-se do outro lado, abafado pelo vidro e pela minha dormência.

E de novo:

- Pedro!!!

Abri os olhos e do outro lado, inclinada sobre o carro, estava a Clara, uma colega de trabalho e muito amiga do João. Esbocei um ligeiro sorriso e acenei.

Ela fez-me sinal para abrir o vidro e eu obedeci devagar. Sabia que hoje estaria fraco demais para resistir às investidas da Clara.

Ela tinha os cabelos compridos, encaracolados em ondas perfeitas e umas sardas que nela pareciam perfeitas. E os seus olhos… pestanejavam devagar.

Desde que entrei para esta empresa que ela engraçou comigo. O João até brincava e dizia que eu tinha nascido com o rabo virado para a lua, pois a Joana também era bonita e com os seus 32 anos, mantinha a mesma bela figura de quando nos conhecemos.

- Que fazes aqui? – perguntou sorrindo.

Encolhi os ombros.

Ela deu a volta, abriu a porta e sentou-se no banco do lado, lugar que por direito era da Joana.

- Anda, vamos beber um copo. – disse, enquanto pestanejava devagar com uma ténue luz amarela e quente do candeeiro da rua a realçar as suas maçãs do rosto e o generoso decote.

Queria aceitar o convite, mas fiquei calado.

- Vá, deixa-te de coisas! Estive a trabalhar em casa do João e preciso de descontrair. – insistiu.

Liguei o carro, ela endireitou-se e tentou colocar o cinto de segurança. Não conseguia… ou não queria!

- Dás-me uma ajuda?

Tirei o meu cinto e debrucei-me para alcançar o dela, que propositadamente deixou do outro lado.

Já tinha sonhado com a Clara por diversas vezes e em todos eles ela aparecia semi-nua e desejosa para que eu a possuísse. Eu, devagar, bem devagar, pegava na sua mão e encostava o meu corpo nu ao seu. De pé, beijava-lhe demoradamente o pescoço, a orelha, roçava o meu rosto no dela, beija-lhe os olhos, agora fechados de prazer. A minha mão ainda caída e apenas com o polegar acariciava a dela em movimentos lentos e circulares.

Sempre o mesmo sonho!

Era óbvio que ela sabia que os seus belos peitos, apertados por suave algodão tingido de preto, iriam por certo atrair o meu olhar.

O meu braço, ao alcançar o cinto, tocava suavemente neles numa espécie de abraço consentido e esperado.

Este é o momento que qualquer um espera ter, o instante em que a curta distância entre os lábios e os corpos pegados “acidentalmente”, indicam que é o Agora.

Mas eu não fui capaz. Coloquei-lhe o cinto e disse-lhe:

- Eu deixo-te em casa.

Seguimos os dois calados, mas ela continuava a sorrir. Em que pensaria?

A distância era curta e depressa chegámos.

Ainda assim chegava mais cedo a casa do que o habitual.

Abri a porta calmamente, mas ao contrário dos últimos 10 anos, a Joana não me esperava. Estranhei…

Entrei na sala, espreite e chamei por ela sem resposta.

Do nosso quarto escapavam sons que se assemelhavam a vozes. Percebia-se que fosse quem fosse estava divertido.

Instantaneamente, assolou-me o pensamento absurdo de traição.

A minha Joana não! Pensei de seguida. Mas então porque não me mexia!!

Comecei a duvidar de todas as coisas que antes tinha como certas.

E as vozes pareciam cada vez mais altas.

Surgiam flashes com imagens da Joana arqueando as costas deitada numa cama, gemendo de prazer ao ritmo de penetração de um homem qualquer e soltando, por vezes, leves gritos como que a libertar toda a explosão interior.

A minha Joana não! Repetia em surdina de forma a apagar este fogo que em mim crescia.

Devagar, desloquei-me pelo corredor que parecia agora mais comprido.

As vozes, ainda imperceptíveis, subiam de tom.

Ganhei coragem e abri a porta de rompante, num gesto firme e decidido.

A cama sem corpos, o quarto sem gente.

Uma televisão esquecida debitava uma qualquer novela brasileira.

Em cima da cama um bilhete:

“Amorzinho, acabou-se o arroz e para te fazer o empadão que tanto gostas fui ao Continente. Se chegares antes de mim, por favor aquece a sala, pois hoje sinto-me sexy e vou comprar lingerie para logo. Beijos, a tua Joana.”

Por: Flash

Foto: rattus

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tema da Semana: " Sonho "


"A Escultora"

Ggggrrrrrrr…

… Mais um final de tarde igual… Que raiva! Onde está a vontade? Onde está aquele sorriso que surgia a todo o momento sem ser chamado…

Olho para aquele recanto cheio de luz e aconchegante onde as horas paravam enquanto trabalhava. Agora, se não fosse o facto de continuar a gostar de viver na limpeza, garanto que ali já viveriam varias gerações de aranhas e outros que tais!

Ggggrrrrrrr…

Que raiva…

Maldita rádio que me leva ao passado.

…“abrázame esta noche

aunque no tengas ganas

prefiero que me mientas

tristes breves nuestras vidas

acércate a mí

abrázame a ti por Dios

entrégate a mis brazos”…

Quase sem ter poder nos meus gestos, quase sem ter poder sobre a minha mente, abro aquela arca de metal de que apenas me recordo nos últimos tempos, quando a abro para lhe colocar água, afinal ali está o meu bem mais precioso… o barro.

Começo a tocar-lhe - “aunque no tengas ganas” - ecoa na minha cabeça… Como me dá prazer, sentir a suavidade e o frio húmido a invadirem as minhas mãos…

Sabe-me a paixão, a luxúria…

Entrego-me ao momento, sinto-me de novo viva como que despida de roupas, pensamentos, vontades e desejos… Apenas sinto…

Sinto as minhas mãos invadirem-te, percorro as tuas coxas, como Deus pôde fazer um homem com um corpo tão perfeito, as tuas nádegas firmes são como uma onda que se prepara a rebentar, as costas o mar que antecede a praia, onde as minhas mãos se deleitam… suaves… firmes… seguem até á nuca e param sem rosto.

O teu peito largo é musculado, o suficiente para que transmita segurança e poder, mas deixando espaço para a vontade de me perder nele…

- “acércate a mí” –

As minhas mãos descem até onde o teu corpo encontra o meu - como são perfeitos estes corpos unidos - encaixam como se de um puzzle se tratasse. Que paisagem bela se expõe aos olhos de quem ousa observar.

Os corpos fundem-se sem que perceba onde acaba um e começa outro! Descolam-se no meu ventre, fico deitada, sentindo o calor das tuas coxas nas minhas, o teu peito eleva-se sobre mim. Os braços que suportam o peso da minha maravilhosa visão, estão perfeitos e não resisto a sentir o seu sabor…

- “abrázame a ti por Dios, entrégate a mis brazos” –

Um trago salgado invade a minha boca excitando cada centímetro da minha pele, os meus seios refletem todo o prazer que uma mulher pode sentir…

As minhas mãos escorrem dos teus ombros, as minhas unhas invadem a tua carne num misto de dor e sofreguidão

- “Tristes breves nuestras vidas” –

Páro!

A minha mente parece acordar, a madrugada vai alta, não senti fome, não senti sede, apenas tenho o meu corpo todo dorido de tamanhas sensações.

Começo a rir! Rir de felicidade! Louca! Alegre! Viva! Consegui!

Parece irreal que aqueles dois corpos, que agora ocupam a minha sala, tenham saído das minhas mãos.


Por: Gemitta
(o 1º conto k escrevi)
foto:JPSousa

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Palavras Ausentes

Tudo o que eu previa aconteceu:
não fui, não fiz, não deu, não quis, saiu, fugiu, deixou, morreu.
Enfim, não fez, não disse, contradisse, concordou e se safou.
Saiu pela tangente e assim ficou.
Esperei, em vão, na contra-mão da razão.
Saiu sem pestanejar e não volta mais.
Ficou o que deixou.
Mas deixou o quê, mesmo?
Vazio.
Vazio por quê?
Fui, fiz, disse e falei demais.
Deixei, fugi, quis mas não deixou e assim ficou: morreu.
Esperar o quê?
O que não há?
Surtei.
Chorei.
Matei em mim o que já me tinhas assassinado há muito tempo atrás.
Não me dei conta que era acaso, capricho. Passado. E na ânsia de mudar o tempo verbal, arrasou-me, arrastou-me e levou-me de volta pro teu mar, já seco, sem vida, ausente de ti.
Não vou, não faço, não falo. Só calo.
Hoje estou assim: ausente de palavras.
Tuas.
Mal sabes que o tempo se esgota e não há volta...
Esperança vã. Trouxe nada além do eco de um passado incompleto.
Tu e eu.
E a vida segue assim, ausente de palavras.
Tuas.
Minhas.
Um grito mudo não se ouve.
E há eu ainda, que não aprendi a interpretar o silêncio.
O teu silêncio.

Retirado de: hajahojeparatantoontem.blogspot.com

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

As Palavras Ausentes

De: Pedro Ayres Magalhães

Junto a ti
É que eu aprendi
A deixar ficar o silêncio
as palavras ausentes
Foi assim
Aprendi assim
Que é bom ficar em silêncio
Quando o amor, manda
Ai, é a saudade quem fala assim
É o amor que se ouve assim
Neste silêncio em que eu descobri
Que é bom ficar junto a ti
Foi assim
Aprendi assim
A deixar ficar o silêncio
As palavras ausentes
Ai, é a saudade quem fala assim
É o amor que se ouve assim
Neste silêncio em que eu descobri
Que é bom ficar junto a ti
Neste silêncio em que eu aprendi
A ficar bem junto a ti
Neste silêncio que descobri
Quando estou bem junto a ti

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Viagem à eternidade das palavras
por Regis Gonçalves

(a João Cabral de Melo Neto, in memorian)

A mesa atrás de si, com os restos do café da manhã, ainda está posta. O poeta sente uma leve vertigem, nenhum torpor, nenhuma dor, e uma lucidez equivalente à claridade invasiva ainda possível de adivinhar. E uma cumplicidade das coisas, objetos familiares como o braço que o ajuda a sustentar-se diante da aguda paisagem interior, já despojada de temor ou remorso.
Haviam comido quase em silêncio, pontuado de frases curtas, as palavras que ultimamente tornaram-se dispensáveis adquiriam em si mesmas uma mínima solenidade. Migalhas de pão e pequenas manchas deixadas pelo líquido entornado indicavam o fim da refeição frugal de cada manhã. Tomara todos os comprimidos, todos, e os engolira contando-os um a um. Sentia-se reconciliado, pronto para o gesto inaugural de apaziguação, uma despedida sem adeus.
O mundo se coagulava em pormenores desprendidos da memória, fora de tempo e lugar. A pedra diluída em barro ia se liquefazendo na mancha tortuosa sobre a qual boiavam o pio de um pássaro, cantigas de infância, sussurros e rumores, olhos de sede, e as palavras, a lembrança da dura e fria iniciação ao seu convívio. Podia ouvi-las distintamente, ordenando uma arquitetura ideal que ele quis tornar poesia. As palavras e seu limite, remoídas em pó que se recusa a dispersar-se em moléculas e deixar-se levar pelo vento.
O poeta se volta, aponta o sofá para onde caminha, senta-se, está como se desprendendo desses fragmentos que compõem o ambiente imediato, acessível das coisas mais que presentes. A mão que o ampara sustenta apenas uma parte de si que já não é peso ou desejo de entendimento. O poeta raspa ainda mais o oco das reminiscências, remove as aparas do tempo, intenta promover a decantação última dos sentimentos. Mas é através deles que novas palavras se presentificam, tornam-se palpáveis na disposição de aliciá-lo, já não como forma pura, gesto lapidar, arte e cometimento.
É antes a proposta de um cântico, uma música que não coubera na arquitetura de sentidos anteriormente pretendida. De mãos dadas, o poeta agora move os lábios e reza, as palavras murmuradas se corporificando numa litania de sons imemoriais, clamores de solidão e comprazimento. Tudo nele interage em caos, essa não-forma de consciência que flui, rio de viagem caudalosa alcançando o estuário de um mar absoluto e definitivo. A cabeça tomba e se imoboliza num gesto arquetípico, estátua de sal que grava o corpo final de sua poesia.