quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tema da Semana: " Sonho "


"A Escultora"

Ggggrrrrrrr…

… Mais um final de tarde igual… Que raiva! Onde está a vontade? Onde está aquele sorriso que surgia a todo o momento sem ser chamado…

Olho para aquele recanto cheio de luz e aconchegante onde as horas paravam enquanto trabalhava. Agora, se não fosse o facto de continuar a gostar de viver na limpeza, garanto que ali já viveriam varias gerações de aranhas e outros que tais!

Ggggrrrrrrr…

Que raiva…

Maldita rádio que me leva ao passado.

…“abrázame esta noche

aunque no tengas ganas

prefiero que me mientas

tristes breves nuestras vidas

acércate a mí

abrázame a ti por Dios

entrégate a mis brazos”…

Quase sem ter poder nos meus gestos, quase sem ter poder sobre a minha mente, abro aquela arca de metal de que apenas me recordo nos últimos tempos, quando a abro para lhe colocar água, afinal ali está o meu bem mais precioso… o barro.

Começo a tocar-lhe - “aunque no tengas ganas” - ecoa na minha cabeça… Como me dá prazer, sentir a suavidade e o frio húmido a invadirem as minhas mãos…

Sabe-me a paixão, a luxúria…

Entrego-me ao momento, sinto-me de novo viva como que despida de roupas, pensamentos, vontades e desejos… Apenas sinto…

Sinto as minhas mãos invadirem-te, percorro as tuas coxas, como Deus pôde fazer um homem com um corpo tão perfeito, as tuas nádegas firmes são como uma onda que se prepara a rebentar, as costas o mar que antecede a praia, onde as minhas mãos se deleitam… suaves… firmes… seguem até á nuca e param sem rosto.

O teu peito largo é musculado, o suficiente para que transmita segurança e poder, mas deixando espaço para a vontade de me perder nele…

- “acércate a mí” –

As minhas mãos descem até onde o teu corpo encontra o meu - como são perfeitos estes corpos unidos - encaixam como se de um puzzle se tratasse. Que paisagem bela se expõe aos olhos de quem ousa observar.

Os corpos fundem-se sem que perceba onde acaba um e começa outro! Descolam-se no meu ventre, fico deitada, sentindo o calor das tuas coxas nas minhas, o teu peito eleva-se sobre mim. Os braços que suportam o peso da minha maravilhosa visão, estão perfeitos e não resisto a sentir o seu sabor…

- “abrázame a ti por Dios, entrégate a mis brazos” –

Um trago salgado invade a minha boca excitando cada centímetro da minha pele, os meus seios refletem todo o prazer que uma mulher pode sentir…

As minhas mãos escorrem dos teus ombros, as minhas unhas invadem a tua carne num misto de dor e sofreguidão

- “Tristes breves nuestras vidas” –

Páro!

A minha mente parece acordar, a madrugada vai alta, não senti fome, não senti sede, apenas tenho o meu corpo todo dorido de tamanhas sensações.

Começo a rir! Rir de felicidade! Louca! Alegre! Viva! Consegui!

Parece irreal que aqueles dois corpos, que agora ocupam a minha sala, tenham saído das minhas mãos.


Por: Gemitta
(o 1º conto k escrevi)
foto:JPSousa

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