
Ggggrrrrrrr…
… Mais um final de tarde igual… Que raiva! Onde está a vontade? Onde está aquele sorriso que surgia a todo o momento sem ser chamado…
Olho para aquele recanto cheio de luz e aconchegante onde as horas paravam enquanto trabalhava. Agora, se não fosse o facto de continuar a gostar de viver na limpeza, garanto que ali já viveriam varias gerações de aranhas e outros que tais!
Ggggrrrrrrr…
Que raiva…
Maldita rádio que me leva ao passado.
…“abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos”…
Quase sem ter poder nos meus gestos, quase sem ter poder sobre a minha mente, abro aquela arca de metal de que apenas me recordo nos últimos tempos, quando a abro para lhe colocar água, afinal ali está o meu bem mais precioso… o barro.
Começo a tocar-lhe - “aunque no tengas ganas” - ecoa na minha cabeça… Como me dá prazer, sentir a suavidade e o frio húmido a invadirem as minhas mãos…
Sabe-me a paixão, a luxúria…
Entrego-me ao momento, sinto-me de novo viva como que despida de roupas, pensamentos, vontades e desejos… Apenas sinto…
Sinto as minhas mãos invadirem-te, percorro as tuas coxas, como Deus pôde fazer um homem com um corpo tão perfeito, as tuas nádegas firmes são como uma onda que se prepara a rebentar, as costas o mar que antecede a praia, onde as minhas mãos se deleitam… suaves… firmes… seguem até á nuca e param sem rosto.
O teu peito largo é musculado, o suficiente para que transmita segurança e poder, mas deixando espaço para a vontade de me perder nele…
- “acércate a mí” –
As minhas mãos descem até onde o teu corpo encontra o meu - como são perfeitos estes corpos unidos - encaixam como se de um puzzle se tratasse. Que paisagem bela se expõe aos olhos de quem ousa observar.
Os corpos fundem-se sem que perceba onde acaba um e começa outro! Descolam-se no meu ventre, fico deitada, sentindo o calor das tuas coxas nas minhas, o teu peito eleva-se sobre mim. Os braços que suportam o peso da minha maravilhosa visão, estão perfeitos e não resisto a sentir o seu sabor…
- “abrázame a ti por Dios, entrégate a mis brazos” –
Um trago salgado invade a minha boca excitando cada centímetro da minha pele, os meus seios refletem todo o prazer que uma mulher pode sentir…
As minhas mãos escorrem dos teus ombros, as minhas unhas invadem a tua carne num misto de dor e sofreguidão
- “Tristes breves nuestras vidas” –
Páro!
A minha mente parece acordar, a madrugada vai alta, não senti fome, não senti sede, apenas tenho o meu corpo todo dorido de tamanhas sensações.
Começo a rir! Rir de felicidade! Louca! Alegre! Viva! Consegui!
Parece irreal que aqueles dois corpos, que agora ocupam a minha sala, tenham saído das minhas mãos.
Por: Gemitta
(o 1º conto k escrevi)
foto:JPSousa
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