terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Palavras Ausentes

Tudo o que eu previa aconteceu:
não fui, não fiz, não deu, não quis, saiu, fugiu, deixou, morreu.
Enfim, não fez, não disse, contradisse, concordou e se safou.
Saiu pela tangente e assim ficou.
Esperei, em vão, na contra-mão da razão.
Saiu sem pestanejar e não volta mais.
Ficou o que deixou.
Mas deixou o quê, mesmo?
Vazio.
Vazio por quê?
Fui, fiz, disse e falei demais.
Deixei, fugi, quis mas não deixou e assim ficou: morreu.
Esperar o quê?
O que não há?
Surtei.
Chorei.
Matei em mim o que já me tinhas assassinado há muito tempo atrás.
Não me dei conta que era acaso, capricho. Passado. E na ânsia de mudar o tempo verbal, arrasou-me, arrastou-me e levou-me de volta pro teu mar, já seco, sem vida, ausente de ti.
Não vou, não faço, não falo. Só calo.
Hoje estou assim: ausente de palavras.
Tuas.
Mal sabes que o tempo se esgota e não há volta...
Esperança vã. Trouxe nada além do eco de um passado incompleto.
Tu e eu.
E a vida segue assim, ausente de palavras.
Tuas.
Minhas.
Um grito mudo não se ouve.
E há eu ainda, que não aprendi a interpretar o silêncio.
O teu silêncio.

Retirado de: hajahojeparatantoontem.blogspot.com

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